sexta-feira, 17 de maio de 2013

É PRECISO FESTEJAR



            Dia primeiro de junho próximo, lançarei dois livros dedicados ao público infantil: A roupa mágica do palhaço e Asas de menino. O evento será no Centro de Convenções Dário Grossi, às 20 horas.
            Desta vez, uma data especial justifica a festa. Completo 35 anos de minha primeira publicação: Balão Azul. Uma caminhada de lutas e trabalho, mas também de recompensas.
            Faço festa por vários motivos. O primeiro deles é festejar o livro que, sendo fonte de conhecimento e prazer, merece ser recebido com alegria. Não festejo somente minha obra, mas o livro, esse veículo de enriquecimento. Também por se tratar de livro infantil, é sempre bom chamar a atenção das crianças para a leitura, já que o objetivo da família, da escola e de todos que escrevem é ajudar na formação do hábito de leitura. E quando se lança um livro com festa, é mais fácil chegar ao conhecimento dos pais e, consequentemente, dos filhos.   Às vezes, um livro simples agrada a criança que, a partir daí, deseja ler mais e conhecer outros livros e outros autores.
            Outro motivo é reunir amigos. Só com amigos podemos celebrar um acontecimento. Como disse o poeta: um galo sozinho não tece uma manhã. A vida só tem sentido, quando compartilhada.  Como erguer uma taça de contentamento, se não houver amigos para brindar?  O prazer se multiplica quando é dividido com corações que batem no ritmo do nosso. 
            Ainda há outro motivo. Sempre trago um espetáculo de arte para recepcionar meus convidados. Entendo que, se eu vou reunir amigos, por que não aproveitar do encontro para viver instantes de beleza e emoção?  Mesmo porque a vida anda tão violenta e incerta, que inventar motivos de alegria, só vai nos agasalhar a alma.
            Artistas de casa e de fora farão a festa. De Belo Horizonte, virá a trupe Maria Farinha com um espetáculo grandioso. Talento, graça e alegria do grupo vão agradar adultos e crianças. Imperdível!  Desde que assisti à apresentação deles, tive vontade de trazê-los para, também, conquistar o público de Caratinga.
            Para nosso deleite, teremos poemas com nossas crianças. Poesia não pode faltar. Lúdica e lírica, ela é condizente com a alma infantil.
            Haverá espaço para lembranças. Vale a pena conferir a performance de Célio Bonfim e Célia, de Heloísa Chálabi, de Marília Chálabi, de Marlene Almeida Fernandes, da Consolação, da Ângela e Eduardo Buzim, de Marta Ribeiro, Paula Verneck, Vânia e Dr. Wiliam, Claudine e Geraldinho.
Espero todos os amigos.  Até lá!  

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Entrevista de Marilene Godinho para a revista Polo Regional





1-    Com que idade a senhora descobriu a vocação para ser escritora infantil?  A senhora teve incentivo de algum familiar? Fale um pouco sobre o início de sua carreira.
R- Desde criança sempre gostei de escrever, inventar poemas e contos. Lembro que aos 9 anos, mais ou menos, escrevi minha primeira historinha, a pedido de Irmã Ludowina – uma freira organizadora das festas do meu Colégio do Carmo. Daí em diante, sempre que precisavam de um texto com linguagem infantil, as professoras me procuravam.  Acredito em que a participação em teatros, em declamações de poesias, em contação de histórias, em dança e corais, tenha estimulado em mim o gosto por textos, pois todo tipo de arte aguça e imaginação e nos faz compor um texto, às vezes com palavras, às vezes em outras formas de linguagem.
       Minha família sempre me deu total apoio em tudo que faço.
       Embora gostasse de escrever, nunca pensei em publicar. Escrevia por escrever.  Pelo fato de eu ser professora e lidar com crianças, escrevia para meus alunos histórias diferentes das que se contavam comumente. Um dia, meu irmão, Cléber, sugeriu que eu publicasse meus contos que, segundo ele, poderiam divertir as crianças. Procurei, então, a editora Comunicação, especializada em literatura infantil. O editor era André Carvalho, um homem muito inteligente, iluminado, bom escritor e cheio de sonhos e entusiasmo. Recebeu-me com atenção, gostou dos contos e, logo, os publicou.  Continuei escrevendo e as portas sempre estiveram abertas para mim.

2- Como foi a aceitação do seu primeiro livro? Teve algum livro que causou maior entusiasmo nas crianças? Fale um pouco sobre ele.
R – Tive muita sorte. O Balão Azul, meu primeiro livro, foi recebido com entusiasmo aqui e em outras cidades nas quais a editora distribuía.
No princípio é tudo mais difícil, mas, no meu caso, sendo a primeira autora de livros infantis da cidade, causou curiosidade. Depois tudo foi se ajeitando.   Míriam Mangeli Ferreira foi a primeira diretora de escola que me convidou para falar aos alunos e levar meu livro. Bajane foi a primeira professora que adotou o Balão Azul na escola Estadual Menino Jesus de Praga.   E há um amigo, a quem devo favores e gentilezas. Trata-se de Humberto Luiz Salustiano Costa que me prestigiou com a presença no lançamento da obra, explicando a todos os presentes como era um lançamento de livro. Além disso, abriu-me as páginas do Jornal de Caratinga, com a aprovação de Eurico Gade, para propaganda e acolhimento às minhas crônicas. Há um fator essencial no impulso à minha carreira: o apoio dos meus amigos. Minha terra, sempre generosa comigo, marcou presença em minhas festas e leu com carinho todas as minhas obras. Além do povo, as escolas são um incentivo ao meu trabalho.
         Todos os livros são bem vendidos aqui e em outros lugares. O primeiro, Balão Azul, causou impacto por ser o primeiro. Depois veio “Uma canção de amor para Tiago”, muito comentado por ser uma história real. E o “Lua de rapadura” faz a cabeça de muitas crianças por ter linguagem da roça e ser um livro alegre. Também, por ser feito de poemas. As crianças são lúdicas, por isso se encantam com o jogo de palavras e rimas.

3- Quantos livros a senhora já lançou e quantos ainda pretende lançar? Tem algum lançamento novo em andamento? Fale um pouco sobre esse projeto.
R – Já editei 31 livros. E para este ano, precisamente, no dia primeiro de junho estarei lançando duas obras: “Roupa mágica do palhaço”, cujo projeto gráfico é do grande escritor e artista Marcelo Xavier, e “Asas de menino”.   Dois livros para comemorar os 35 anos de minha primeira publicação. Pretendo fazer uma grande festa e espero todos os amigos.

4- Sabemos que a senhora e o Ziraldo só lançam livros infantis. Vocês trabalham em sintonia?
 R – Não trabalhamos em sintonia.  Admiro muito o trabalho de |Ziraldo e sua obra. Ele é um gênio.  Devo a ele gentilezas impagáveis. Ilustrou  meus dois primeiros livros e prefaciou o Balão Azul.  Além disso, foi  presença importante no lançamento do primeiro livro no Rio de Janeiro. Deu-me a maior força e ainda levou o Grande Otelo para me prestigiar. E foi em nome da gratidão que o homenageei , anos atrás, pelo “Menino maluquinho” e, recentemente, pelos oitenta anos de vida.  Organizei toda a festa, contei com a presença bonita das escolas e o resultado foi gratificante. A festa agradou a cidade a ao Ziraldo que, até hoje, agradece emocionado.

5 – Sabemos que toda leitura é uma viagem ao mundo do conhecimento. Deixe uma mensagem de incentivo à leitura para as crianças de hoje.
R – Minha mensagem às crianças é sempre para dizer que leiam muito. O livro é fonte de prazer e conhecimento. E o conhecimento liberta porque forma a consciência crítica do indivíduo e o capacita a administrar suas escolhas, seu trabalho e seu convívio com todos. “Um país se faz com homens e livros”, foi o que disse o grande escritor Monteiro Lobato, pai da literatura infantil. Na criança, o hábito de leitura, tão importante à sua formação, só acontece pelo prazer. Por isso, pais e escola devem colocar muitos livros nas mãos dos pequeninos, para que, desde cedo, eles tenham intimidade com o livro, como acontece com os brinquedos. E o prazer ocorre enquanto a criança lê, já que os livros infantis são bem cuidados, interessantes e feitos para atrair o pequeno-leitor. Então, a leitura torna-se uma viagem ao mundo do conhecimento que se apresenta revestido de fantasia, cores e palavras. E aí acontece o milagre do livro: quanto mais se lê, mais se quer ler.
       
            Agradeço ao Mário Soares pela oportunidade de falar sobre meu trabalho e minhas obras.  Sucesso a sua revista.


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Dia do Ziraldo



          Dia 28 de outubro próximo iremos comemorar o aniversário natalício de nosso querido Ziraldo. Ele completa 80 anos e passará conosco a emoção dessa data especial.
          Cartunista, jornalista, chargista, desenhista, cineasta, apresentador de TV e, para nosso encantamento, é escritor de dezenas de livros infanto-juvenis lidos e apreciados pelo mundo inteiro.
          Pelo talento e por ser filho desta terra, achamos merecida a homenagem.
         Dia 27, sábado, teremos a abertura do 12º salão internacional de humor, às 19 horas na Casa Ziraldo de Cultura. Idealizado pelo EDRA, terá como tema: Ziraldo – Ao mestre com carinho.  Haverá lançamento de livros movimentando a noite.
Ziraldo – maluquices do maluquinho –  Marilene Godinho
Não só na lembrança – Maria do Carmo Arreguy Corrêa
Em família e outras histórias – Cátia Pereira Simões Sena
O rio da flor da mata – Antônio Soares Castor
          Dia 28, domingo, será o ponto alto da homenagem. Atendendo a um desejo de Ziraldo, acontecerá um desfile ao longo da Avenida Olegário Maciel com a participação de escolas, entidades, academias de dança, ginástica, corais e muita alegria.
          Convidamos o povo para essa festa. A presença e o aplauso de todos são a melhor forma de compartilhar e desejar felicidade.  Caratinga, cuja característica é o calor humano de sua gente, certamente nos ajudará a celebrar o filho ilustre, nosso orgulho e exemplo.
Voltaremos a falar.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

No escurinho do cinema…


         A pretensa demolição do Cine Brasil causou alvoroço na cidade. E com razão. Ele faz parte da Memória de Caratinga e é uma obra de arte. Inaugurado em l947 retrata o estilo arquitetônico da época.
          Guardar a Memória é guardar a história do povo e preservar sua identidade. Gente sem Memória é sem raízes. O povo sem passado é povo cujo futuro é sempre um recomeço sem lições.  Os países mais desenvolvidos do mundo sabem da importância de se preservar o passado, e guardam prédios importantes, artes e elementos originais de cultura como relíquias.
     Como exemplo, temos a catedral que foi tombada e preservou as características arquitetônicas da obra – belíssimo cartão postal da cidade. Também, o Palácio do Bispo que, restaurado, guarda a beleza do passado, e a antiga casa de Dr. Agenor Ludgero Alves transformada em Casa de Cultura pela família Leitão.   Muitas cidades erguem prédios guardando a carcaça da obra primitiva.
     Vejo muitas pessoas confundindo tombamento com demolição. Tombamento é a restauração da obra que poderá servir para os mesmos fins anteriores ou para outros fins de igual valia, sem descaracterizar os antigos valores. Demolição é destruir a obra.
          Dos tempos áureos do Cine Brasil, não há caratinguense que não tenha lembranças de filmes, espetáculos teatrais e cantores famosos passados por essa casa de espetáculos. Caratinga e redondezas viveram momentos inesquecíveis de entretenimento. Quantos casais se beijaram no escurinho do cinema… Não só saudades das inocentes carícias fazem a importância do local, mas toda a trajetória de progresso.
          Ainda bem que a justiça, sensível à questão, sabedora do valor de um bem histórico e atenta ao clamor do povo, suspendeu a ação. O tombamento – assinado antes pelo prefeito – dará melhor destino ao estabelecimento. 
          Manifestações de repúdio à demolição dão conta da insatisfação dos caratinguenses daqui e de todo país. Está visto: o Cine Brasil mora no coração da gente.
          No mesmo dia em que houve a questão do Cine Brasil, fomos sacudidos pela notícia do desligamento do Edra da Casa Ziraldo de Cultura. É difícil ver outra pessoa governando o tesouro que o Edra concebeu, lutou por ele e inaugurou depois de tantos esforços e tanta dedicação. Nós acompanhamos a realização do projeto, desde o nascimento à conclusão. Conhecemos de perto sua luta, seu idealismo, seu sofrimento mesmo. Sim. Muitas vezes o vimos triste diante das impossibilidades, das dificuldades que, a cada dia, se interpunham entre seu sonho e o desencanto. Mas com fé, lidas, orações da mãe santa e companheira, ele venceu etapas e seu ideal tomou forma e se fez verdade. Dirigia a Casa com zelo, entusiasmo e brilho nos olhos, recebendo visitantes e eventos a mostrar o benefício que o espaço trazia ao povo.
          Sabemos que o novo dirigente é capaz para exercer o cargo, mas o que está em jogo, não é a tarefa de conduzir o estabelecimento. Trata-se da ética – ciência do bem e do bom. Ela lida com valores e sua palavra de ordem é o respeito. E do respeito surgem outros valores, como a igualdade, a liberdade, a consideração. 
          A Casa Ziraldo de Cultura tem a cara do Edra e guarda a alma dele em cada canto, em cada detalhe. Penso que o novo dirigente vai se sentir um pouco deslocado, como se carregasse um anel apertado no dedo, ou um sapato largo no pé.
          Diante desse fato, meu pensamento busca Julimara, primeira-dama, que soube tão bem se conduzir por todo tempo do governo do marido. Lidamos com ela em muitas comemorações e no dia a dia, e sabemos da sensibilidade e elegância de seus gestos. Ela sempre considerou os valores eternos que devem nortear a conduta humana. Por sua força junto ao mandatário maior do município, sei que poderá intervir com sucesso e levar em conta o trabalho e o talento do Edra.   Aguardemos.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Duelo de Titãs


          Com vistas às eleições municipais, o quadro político acaba de ser definido. João Bosco não concorre à reeleição e o PT aponta Juarez Gomes de Sá com o vice ainda indefinido. Aluísio Palhares não se candidata a prefeito e ainda não se manifestou publicamente sobre apoio. Pelo visto, a disputa acirrada será mesmo entre Ernane e Marco Antônio. Será um duelo entre forças igualmente poderosas. Um duelo de titãs marcará a campanha.
          Eleitores dos dois lados torciam por um acordo entre ele, sabendo-se que tinham a mesma linha de pensamento e mesma parcela do eleitorado.  Companheiros desde sempre, Marco Antônio foi secretário de saúde no governo Ernane e dividiram  o mesmo palanque na eleição passada. Agora os dois que, se estivessem juntos, consolidariam uma vitória presumidamente expressiva, seguem separados.
          Ernane é um nome forte. Seu governo realizou obras, apoiou a Educação e Cultura de forma eloquente, consolidou a saúde com muitos melhoramentos. Foi um tempo de progresso e bem-estar da população. Traz como vice Rafael Lima, o Rafa, presença que soma por se tratar de um empresário de sucesso.
          Marco Antônio, figura também muito forte, traz na testa a estrela da honradez, juventude, valores familiares e esperança. É sangue novo a jorrar energia e ideias inovadoras. Traz na bagagem os bons serviços prestados como secretário de saúde nos governos Dário Grossi e Ernane, ganhando elogios e prêmio no âmbito nacional. Carrega ainda mais dois trunfos. O primeiro é o de ser caratinguense de nascimento e vida. Embora um bom prefeito independa desse fator, a de se cobrar de um filho legítimo da terra maior responsabilidade. O outro trunfo é o apoio do deputado Mauro Lopes. Um precioso apoio. Confere à candidatura de Marco Antônio segurança e força a futuros projetos. O vice é Odiel. Conhecedor do mundo político, já foi vereador e presidente da Câmara. Simpático e dinâmico, tem eleitores cativos.
          Aí  está uma difícil escolha, mas seguindo a Cartilha do Voto Consciente, editada pelo MAC, acharemos boas dicas.
          Uma certeza nos alenta: a campanha será de alto nível. Os candidatos são muito éticos e saberão se conduzir bem. Na verdade, proclamar defeitos não é construtivo e pode ser uma faca de dois gumes, isto é, tanto poderá prejudicar o adversário expondo seus erros, como ajudá-lo na condição de vítima. O que conta mesmo é apresentar uma boa e viável plataforma de governo.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Palpite infeliz


         Carlos Carraro despediu-se do público de seu programa no Super canal. Na última edição o comunicador esteve descontente defendendo-se das acusações que lhe foram feitas pelo jornal “O olheiro” – noticiário do Pará, apreendido logo depois de circular pela cidade.
        O assunto que me traz aqui hoje é sobre um pequeno ponto das acusações que – penso – merece considerações. Trata-se da humilhação. Odeio humilhações! E o articulista foi infeliz ao citar a pouca escolaridade como impedimento ao bom desempenho de uma profissão.
          É claro que, hoje, quem tem mais leitura e estudos terá maiores chances de sucesso profissional e pessoal. Mas daí a dizer que quem não tem diploma universitário não tem valor, é engano. E grande engano! Existe uma potencialidade chamada inteligência emocional. Um fator que alavanca qualquer pessoa rumo a seus objetivos. Na prática, ela significa garra! E quem a tem rompe barreiras e chega lá!  Até pessoas com diploma superior e mestrado necessitam dessa garra para vencer.
          A cultura e a sabedoria são também adquiridas no dia a dia, na prática, nos convívios, no fazer, na curiosidade, no desejo de acertar, na leitura de livros, na leitura de mundo.  A teoria só se completa na experiência. E a inteligência, da qual somos todos dotados, permite descobrir, ampliar, inventar, exercitar o conhecimento, mesmo fora da escola.  Do contrário, estaríamos na idade da pedra.
          Hoje, há muitas facilidades para quem deseja estudar, mas, no passado, nem todos os pais podiam dar aos filhos estudo acadêmico completo. O que deveriam fazer esses filhos? Desanimar? Não procurar trabalho? Não se inserir no mercado de trabalho e deixar de contribuir com a sociedade? É claro que não! E o exemplo de pessoas que são realizadas e fazem bem à cidade e ao país, não tem conta. Do simples gari ao ex-presidente da república.
          Carraro é um homem de realizações. Há 26 anos edita o jornal “A Semana”. Já promoveu eventos de sucesso, com o “Maió e Mió” e outros acontecimentos sociais. É corajoso. Não se esconde sob máscaras ou pseudônimo. De cara à mostra, fala o que muita gente gostaria de falar. Não se omite, não cruza os braços.  Se há algum excesso em sua fala, ele tem conseguido segurar as consequências.  Defende suas ideias e é gente nossa!
          Lamentamos sua saída do programa da TV, mas acreditamos em sua volta. Desejamos continue no jornal e em promoções que tragam alegria e diversão ao povo. E ele sabe realizá-las muito bem.

Homenagem a Caratinga


           Caratinga está de aniversário. 164 anos de vida.
        Como falar da terra da gente?  Quais as palavras que poderei usar para falar dignamente da terra natal, do berço que acalantou e acalanta nossos sonhos?  Como conseguir a palavra mágica para descrever o amor de um filho por sua terra-mãe?   Todo gesto ameno será pequeno, toda palavra será pouca e cala na boca, porque não há expressões que possam traduzir com fidelidade o que é Caratinga, o que são seus filhos, meus irmãos de afeto e de solo com os quais convivo harmoniosamente.   Só mesmo de forma superficial, levemente, poderei falar do amor único que se dilata em mim, em nós que aqui nascemos ou vivemos.
          Caratinga é nossa casa. E casa da gente é o único lugar no mundo onde somos nós mesmos, sem artifícios ou formalidades.  Casa da gente é o lugar onde se chega e se pode tirar os sapatos, desabotoar o casaco, desapertar o nó da gravata.
          Caratinga é nossa casa maior onde convivemos com uma família maior. É aqui que vivemos, sonhamos , realizamos e somos felizes. Aqui é o lugar de rir e chorar, de errar e de acertar, de perdoar e amar. A mais esplendorosa cidade, não se iguala a nossa, ainda que humilde e pequena. Um paraíso dentro dos montes que a cercam. O grande poeta Fernando Pessoa, sob um de seus heterônimos Alberto Caieiro, escreveu lindamente: “O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia. Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia. Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia”. Nem precisava buscar tão longe um exemplo de preferência de um filho por sua terra. O poeta maior de Caratinga, Max Portes, já poetou em seu livro dedicado a nossa terra: Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá, todo lugar tem palmeiras, não as palmeiras de lá.           Nós podemos falar dos defeitos de Caratinga, mas se pessoas de fora disserem, é uma briga. Como nos faz mal!    Isso porque cidade da gente é abraço de mãe a estender afagos. Cada canto conta um conto, canta um canto de paz.  Cada rua conta a história da gente e candonga nossos segredos.     
            Caratinga é uma cidade progressista e boa para se viver. A parte física agrada aos olhos e a sensibilidade.  A Itaúna, a catedral, a Fafic, A Fic, as ruas, a iluminação, o asfalto, as flores, a praça ornamentada por palmeiras que desde sempre caracterizaram Caratinga. Só que para que existisse essa parte física tão bonita, com exceção da parte natural, foi necessário o material humano. 
Houve um sonho, um projeto e a realização que dependeram da vontade e das mãos humanas. Figuras de destaque construíram e constroem Caratinga, ontem e hoje.
          Há de se lembrar também do anônimo. Mãos anônimas edificaram tudo quanto existe aqui. No escondido, na simplicidade, no anonimato houve trabalhadores que derramaram o suor de seu trabalho colocando tijolo por tijolo nas pequenas e grandes construções, nas ruas de paralelepípedos, hoje asfaltadas. O professor que, mesmo com seu pequeno salário, formou gerações nas lições das salas de aula, dia após dia.         
            Caratinga é grande porque seus filhos são grandes. Tudo depende de nós. Manuel Bandeira, o grande poeta modernista escreveu um maravilhoso poema a sua terra natal, que diz:
          
            “Saí menino de minha terra / Passei 30 anos longe dela.
          De vez em quando me diziam:
             Sua terra está completamente mudada.
          Tem avenidas e arranha-céus / É hoje uma bonita cidade.
          Meu coração ficava pequenino.
          Revi afinal o meu Recife.
            Está de fato completamente mudado.
          Tem avenidas e arranha-céus / É hoje uma bonita cidade.
          Diabo leve quem pôs bonita a minha terra”.

            O poeta não gostou de ver as mudanças de sua terra porque queria encontra-se consigo mesmo nas dobras do passado. Queria rever sua infância, as ruas sem calçamento, a quitanda, a luz fraca dos candeeiros. Queria o passado para matar saudades.
          Mas para nós que vivemos aqui e assistimos ao desenvolvimento de Caratinga. Para nós que vivemos o dia a dia aqui, acompanhando cada mudança e desejando que tudo mude para melhor. Para nós que não sentimos saudade, sentimos o abraçar constante de nossa terra rumo ao progresso, pensamos diferente. Plagiando Manuel Bandeira, numa outra visão dizemos: Caratinga está completamente mudada. Tem avenidas e arranha-céus. É hoje uma bonita cidade. Deus abençoe quem pôs bonita a minha terra.