domingo, 21 de fevereiro de 2021

A pandemia favorece o divórcio

 

Segundo as recentes pesquisas, está havendo muitos divórcios por causa da pandemia. De acordo com os psicólogos, o convívio intenso durante o isolamento tem sobrecarregado física e emocionalmente as famílias no Brasil e no mundo.

Nessa época de pandemia, o divórcio é mais pedido pelas mulheres, segundo estatísticas. E a reclamação frequente é a tripla jornada. Essas mulheres trabalham, cuidam da casa e dos filhos. Não aguentam relacionamentos machistas, pois muitos homens não ajudam em tarefas de casa.

O aumento de convívio gera aumento de conflitos. Diante das separações, perguntamos: Onde está o amor?  Lembro-me, então, do que disse um famoso psicólogo: “O amor não sustenta um relacionamento, é o bom relacionamento que sustenta o amor.” Sabemos, também, que o amor é como uma planta que necessita de água, sol , limpeza e outros cuidados para crescer e ficar bonita.

         Antes, os casais levavam bem as diferenças porque não passavam o tempo todo juntos. Saíam para o trabalho, para encontrar amigos, para uma escapadela que dava leveza ao relacionamento em casa. Agora, não. No contexto de união absoluta, coisas pequenas ficam grandiosas. Ele fuma demais, ele não levanta bem a tampa do vaso sanitário, briga muito com os filhos. Ela reclama muito, distrai das tarefas de tanto que fica no celular, não procura fazer pratos variados  para as refeições.

A causa maior desses divórcios está no que afirmam os psicólogos: os divórcios, nessa época, ocorrem com casais que já enfrentavam problemas antes. O convívio intenso só aumentou os problemas já existentes.  O lockdown levantou o véu que ofuscava a verdade sobre alguns casamentos.  Pois, na verdade, há muitos casais que continuam unidos e muito bem. A pandemia os uniu porque souberam usar o relacionamento como recurso nesse momento de crise. Os casais que cuidaram do amor como planta rara,  têm conseguido passar bem esse período.

Uma lição que a pandemia deixa para os casais.  Desde  antigamente, o casamento é  considerado como uma conquista. Depois de realizado, os casais se acomodam na sensação de que atingiram o objetivo. E não investem na relação, não criam situações agradáveis na convivência, na motivação e no romantismo.  Quando na verdade, o casamento é o início do processo de conquista.

Investir na felicidade do casamento ajuda a manter o amor em qualquer situação.

Marilene Godinho

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Campanha da Fraternidade


O texto-base da campanha da Fraternidade 2021 tem causado indignação e polêmica. A CF sempre foi realizada pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e considerada um momento importante na espiritualidade católica.
A primeira Campanha da Fraternidade foi realizada em 1962 em Natal, Rio Grande do Norte. Depois, a CNBB continuou na realização da CF, que sempre ocorre na quaresma. A cada 5 anos é promovida de forma ecumênica, incluindo outras denominações cristãs. Os textos que norteiam a Campanha têm constituído um documento importante porque o tema escolhido sempre define a realidade concreta a ser transformada, apresentando também um lema que explica em que direção se busca a transformação.
Este ano a CFE não foi feita pela CNBB. Foi entregue ao CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs), que reuniu pessoas de várias religiões dando um sentido ecumênico. O tema é: Fraternidade e diálogo: compromisso de amor. O lema é: Cristo é a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade.
Os que não concordaram com a CFE de 2021 alegam que o texto, as entrelinhas, os argumentos não correspondem aos ideais da Igreja Católica. Fazendo parte do CONIC para essa tarefa, seria justo haver valores católicos. Acham que não há nem o estilo nem a espiritualidade do catolicismo. Logo de início, analisando os componentes do CONIC, vemos que dois padres católicos fazem parte dele, os outros sete pertencem a outros credos. Ressaltam, ainda, que a presidente-geral é a Pastora Romi Márcia Bencke, muito criticada por ser a favor do aborto, da teoria de gênero e outras práticas condenadas pela igreja católica. Ela não seria a pessoa indicada para o ofício de redatora sendo figura de destaque do CONIC.
No texto há referência a uma grande alegria ocorrida em 2017: a comemoração dos 500 anos da Reforma. Lembrando que a Reforma marcou o cisma causado por Lutero.
Há referências às mulheres que acompanharam Jesus e o ajudaram na missão. Não houve nem mesmo uma simples citação do nome de Maria, mãe de Jesus. Nem nesse parágrafo, nem em nenhum outro. É um lapso imperdoável, sabendo do grande amor e respeito que o catolicismo dedica à Maria.
Quando o CONIC procura exemplificar pessoas e fatos sobre a violência, citam Mariele Franco e a população LGBTQI.
O cardeal Dom Odílio Scherer se posicionou em defesa da Campanha, dizendo que é preciso que sejamos capazes de aceitar sem preconceitos. Alertou que é uma Campanha Ecumênica. Depois de ampla defesa, disse que até ele mesmo não concordava com certos pontos do documento.
Já o bispo Dom Odair José Guimarães foi totalmente contra em sua mensagem. Disse que o melhor a fazer é esquecer esse documento, pois tudo que vai contra os valores da Igreja católica, não prospera, como aconteceu com a Teologia da Libertação.
Li muitas vezes o texto-base. Muito bem redigido, contendo informações valiosas e estatísticas que norteiam as propostas. As citações do evangelho são precisas para elucidar os fatos de antes frente aos de hoje. Entendo que há, realmente, um discurso não condizente com os ensinamentos da Igreja católica.
Penso que nós, católicos, não devemos nos deter nas diferenças. Não podemos prejudicar nossa quaresma – tempo de penitência, oração e conversão, caridade. Prepararmos para a Morte e Ressurreição de Jesus com o espírito de amor, mas jamais nos esquecermos que ecumenismo é respeitar as diferenças, sem abrir mão de nossos valores. Com certeza, na próxima Campanha da Fraternidade, a CNBB estará mais cuidadosa e teremos a alegria de reviver a espiritualidade e as propostas que sempre marcaram as Campanhas anteriores.
Marilene Godinho

domingo, 7 de fevereiro de 2021

O aborto novamente em pauta

 


Há pouco, a Argentina legalizou a prática do aborto no país. Estabelece que as mulheres têm direito de interromper a gravidez até a 14ª semana de gestação.  Passa a ser o 67º país a ter o aborto legalizado, argumentando que “o aborto seguro, legal e garantido por lei amplia os direitos das mulheres e garante a saúde pública”.

Diante dessa legalização, as discussões sobre o aborto retornam.

Por ser católica, preocupo-me com a parte religiosa, sobre os ensinamentos de Deus. Busco a doutrina oficial da Igreja que, sobre esse ponto, é terminantemente contra, taxativa e se propõe como definitiva.

O ponto principal da argumentação da Igreja é a defesa da vida, reiterada como um princípio absoluto, imutável e intangível. A existência de uma pessoa humana, sujeito de direitos, desde o primeiro momento da concepção, é o pressuposto para se considerar a interrupção da gravidez como um ato homicida em qualquer momento da gestação e sob quaisquer condições.  A sacralidade da vida humana e a condição da pessoa do embrião fundam a condenação incondicional do aborto, integrando argumentos de ordem religiosa, moral e biológica.

A condenação da interrupção voluntária da gravidez funda-se numa proposição de fé, segundo a qual a vida humana tem caráter sagrado por ser um dom divino.  O papa Paulo VI, citando Pio XII, não deixa dúvidas: “Cada ser humano, também a criança no ventre materno, recebe o direito de vida imediatamente de Deus, não dos pais, nem de qualquer sociedade ou autoridade humana”. Atentar contra a vida é atentar contra o próprio Deus. Do direito à vida derivam todos os outros direitos.

Uma vez que, segundo o magistério da Igreja, desde o primeiro momento de fecundação há uma pessoa humana completa, o aborto torna-se um ato moralmente inaceitável e condenável, verdadeiro homicídio. E provocar a morte de um ser humano inocente constitui uma situação de tríplice injustiça: contra a soberania de Deus, único Senhor da vida; contra o próximo, que é privado do direito de existir como pessoa; e contra a sociedade que perde um de seus membros.

O documento de 1984 da CNBB: “Por ser um supremo dom natural de Deus, todo ser humano deve ser preservado desde o primeiro instante da concepção, sustentada, valorizada e aprimorada. São inaceitáveis, como atentado contra a vida humana, o aborto, o genocídio, a eutanásia, a tortura, a violência física, psicológica ou moral, assim como qualquer forma injusta de mutilação”.

No Brasil, essa prática não virá tão cedo, pois os governantes e a maioria do povo são contra o aborto. Preocupa-nos a situação atual dos Estados Unidos, pois o novo presidente, Joe Biden, é a favor do aborto. Isso significa que o número de mortes de crianças será imensamente grande. Considerando que a maioria das mulheres faz do aborto um anticoncepcional e, pelas recentes pesquisas, mais de 20 mil crianças foram mortas por aborto, considerando os países que o adotam.  

Só nos resta rezar para que Deus nos ajude e ajude a tantas crianças que poderão morrer.  Os abortistas dizem que o aborto é uma conquista da mulher. Imaginem, uma conquista de matar!  E a vida continua e, a cada dia, vemos atos absurdos acontecendo. Só mesmo um milagre poderá conter tantas vidas interrompidas.

Os católicos esperam que o papa Francisco pronuncie sobre o assunto, já que ele é argentino e é uma voz potente digna de consideração. Quanto mais houver vozes contra o aborto, mais as mulheres poderão se conscientizar, pois a lei que legaliza o aborto não precisa ser usada pelas mulheres que não concordam com ela. 

Marilene Godinho


 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Dom Emanuel Messias de Oliveira


       Dia 4 de fevereiro comemorou-se o aniversário sacerdotal de nosso querido bispo Dom Emanuel Messias de oliveira. É preciso louvar a Deus por nos ter dado um pastor tão santo que escreve com sabedoria páginas de nossa história religiosa. Festejar desde o sim ao chamado de Deus, até hoje e todos os momentos de sua vida consagrada. Foi a partir desse dia que ele empreendeu a caminhada na trilha de Jesus como seguidor que, esquecido de si mesmo, preencheu-se da vontade do Pai. Foi nesse dia que Dom Emanuel começou a ser um outro Cristo pregando, celebrando, perdoando e amando. Dia abençoado que deu início a uma fecunda caminhada.
          Nosso Bispo nasceu em Salinas, MG. Foi uma criança tranquila, estudiosa e alegre. A mãe queria vê-lo sacerdote, e essa chama brilhava sempre no coração do menino. Ouviu o chamado do Pai e, por conta própria, procurou realizar sua aceitação, indo ao seminário para dizer aos padres que desejava ser sacerdote. Seguiu sua estrada ordenando-se em 04 de fevereiro de 1976 em Governador Valadares.  Sagrou-se Bispo em Governador Valadares, indo para Guanhães.
          Chegou a Caratinga em 20 de maio de 2011. Desde então tem sido a luz maior a guiar nossa diocese com trabalho exemplar e zelo constante.
Duas grandes virtudes revestem a alma de nosso Bispo: a paz e a caridade.  Em todos os momentos ele demonstra paz nos gestos, nas ações, no convívio com todos. Seu estandarte é uma bandeira branca.  E a caridade verdadeira reveste também seu coração cheio de piedade e amor pelo próximo. Lida com os sacerdotes demonstrando preocupação e carinho. E atende as pessoas com sua postura de afeto e palavras boas.
Dom José Heleno, que foi bispo de Governador Valadares, há tempos veio morar aqui na companhia do irmão Dom Hélio Gonçalves Heleno, que lhe dispensava cuidados especiais por causa da doença que o havia acometido. Dom Hélio morreu, mas Dom Emanuel não permitiu que Dom José Heleno saísse de sua companhia. Com mais de 90 anos de idade, ainda mora com Dom Emanuel que lhe dispensa profunda atenção e diz considerá-lo um pai. Aliás, por feliz coincidência, foi Dom José Heleno que sagrou Dom Emanuel bispo em Governador Valadares.
Padre Boreli conta da grande caridade de nosso bispo diante de sua doença e de sua aposentadoria. Custeou suas despesas e lhe deixou a Lourdinha como serviçal e companheira de todos os momentos.  Monsenhor Raul tece elogios à sua forma de tratar todo mundo e de saber colocar a caridade acima de tudo.
Outra qualidade que nos encanta é saber pregar com sabedoria, seja nas homilias ou em outras pregações. Quando ele fala, escutamos com muita atenção para não perdermos nenhuma vírgula de suas palavras. Lições sábias, riqueza nos argumentos e pureza dos evangelhos. Às vezes, ocorre verdadeiro catecismo que nos faz voltar aos ensinamentos primeiros com novidades desconhecidas por nós. Não poderia ser diferente. Ele é Mestre em Sagradas escrituras, formado em Roma. Talvez por isso e mais a inspiração do alto, suas pregações, o significado das parábolas e a transposição do conteúdo para os momentos atuais, sejam preciosos e cheios de conhecimento e sensibilidade, como se o Espírito Santo lhe soprasse aos ouvidos.
Todos os domingos, às 18 horas no Sistec, Dom Emanuel faz a homilia do evangelho do dia. Não se pode perder esse momento em que o bispo mostra Jesus Cristo para nós.  A doutrina passada na palavra de um conhecedor profundo dos evangelhos, de um propagador dos milagres, de um apóstolo que sabe reacender nossa fé, por ter sido ela que o fez acreditar sem ter visto. 
A paz e a caridade que marcam sua forma de se conduzir, não significa que ele não se deixe envolver em questões sérias da Igreja. Em momentos difíceis, ele sabe erguer sua voz e se colocar a favor da paz e da justiça.
Até seu nome é traduzido por dádivas. Emanuel significa “Deus conosco”, Messias é o nome do Salvador, e Oliveira remete-nos às árvores frutíferas repletas de frutos a matar a fome.
          Que Deus abençoe o nosso Dom Emanuel. Dê-lhe saúde, fortaleza e alegrias. Não só das alegrias de risos fáceis e alarde, mas da grande felicidade interior onde Deus mora, tece o entusiasmo e planta a felicidade.
Dom Emanuel, Caratinga o ama e lhe deseja todo bem. Nas missas, quando seu nome é citado na oração pela igreja, rezamos com devoção imensa para que Deus nos escute e lhe dê as graças de que necessita.
Parabéns, mil parabéns! Nossas homenagens e a ternura de um abraço.


segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Homenagem de Santa Bárbara do Leste


No dia 20 de outubro, recebi significativa homenagem da Escola Monsenhor Rocha de Santa Bárbara do Leste.  Realizou-se o Recital de poesias com poemas de minha obra “Lua de Rapadura”. Apresentaram, ainda, uma peça teatral com o texto de meu livro “É da Roça”.  Foi um sucesso! As crianças, bem preparadas, deram um forte colorido ao espetáculo. 
No lançamento dos livros, Dança do Piolho e Na Garupa do Sonho, as crianças demonstraram o quanto gostam de ler. Risos de contentamento ao manusearem as páginas.
Agradeço emocionada a homenagem preparada pela diretora da escola, professora Jussara.  O evento não se restringiu à escola. Realizado na Câmara Municipal de Santa Bárbara do Leste, contou com a presença dos professores da escola, pessoas da comunidade, vereadores, prefeita e pároco. 
Agradeço a presença de todos. De forma especial, às professoras, que trabalharam com tanto esmero e cuidado, aos vereadores, ao escritor Aurimar, ao Zezão.   Padre Walcir, usando da palavra, incentivou a leitura, recordou-se de uma bela poesia de sua infância, declamando-a com perfeição.  A prefeita Vilma, que tanto me honrou com a presença, convocou o pároco e, juntos, renderam preces a Deus.  Foi um instante de fé acompanhado por todos.
Não há palavras que possam traduzir minha gratidão por tantas manifestações de apreço a mim e aos livros.  No entanto, conforta-me saber que Deus não deixará de derramar suas bênçãos sobre todos os semeadores do bem. Assim, Ele haverá de agradecer por mim, concedendo a cada o Seu olhar de Pai.     









sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Escola Menino Jesus de Praga recebe com entusiasmo


Continuando minhas visitas aos educandários para levar minhas duas últimas publicações, aportei-me na Escola Menino Jesus de Praga. Entusiasmo e alegria marcaram os momentos com diretores, professores, mães de alunos e crianças. Durante a contação de histórias, os olhinhos atentos não perdiam uma só palavra.  Ávida pelos livros, a garotada fez a festa! Emocionou-me a atitude do aluno Francisco Inácio Costa que comprou uniforme novo para me receber e, com gestos de surpresa, mostrou o quanto os livros fazem parte de seu encantamento.
Agradeço muitíssimo à diretora Ivone e à Laurinha. Também à Cida, que tão bem sabe preparar os alunos com seu violão e canções. A todas as professoras, agradeço o carinho. Que Deus abençoe o trabalho dessa escola que sempre me acolhe com afeto e tanto nos ajuda a fazer do hábito de leitura a meta de nossos esforços.

Algumas fotos ilustram nossa passagem pela escola.